quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"Nice cheesecake"




Há quem seja saudosista e diga que antigamente é que era bom. Eu digo o mesmo, e digo o contrário. Não daria um produto por garantido, e se o obtivesse, sendo esse um objectivo, quando o tivesse seria quase, como nos dias de hoje, receber um iPad com a colecção de notas depositadas no Sapatinho; mas se esse produto está à nossa disposição e em tanta abundância como as maçãs e limões saudáveis de antigamente, apesar de não lhe darmos o devido valor, devemos congratular-nos por esse comodismo!
Eu congratulo-me, por isso, por ter, na minha televisão, um pacote de 4 canais que exibem 24 sobre 24 horas os melhores filmes de agora, e de antigamente (assim como os filmes disponibilizados na internet ao preço da chuva).
Fico, então feliz, e perco, feliz ou infelizmente, horas de sono a ver esses canais.
Antes de ontem, fiquei a assistir com atenção à programação desses canais, e assisti a três filmes, os quais faço agora uma espécie de mini-avaliação (esperem muito disto!).

Convergem todos para o mesmo: vidas paralelas, que, de alguma maneira se relacionam, celebrando-se o tão em voga efeito borboleta (qualquer acontecimento numa vida, muda muito outras). O que vos trago hoje, e me chamou mais à atenção é um filme de animação australiano realizado por Tatia Rosenthal, em que um jovem deprimido, desempregado, a viver com um pai desiludido com o fado do filho, tem problemas com a mulher da sua vida e que procura um sentido para a mesma, tendo um irmão que vive com ele, e que dorme com supermodelos sem auto-estima; a personagem principal é viciada em erva, e tem os seus queridos amigos imaginários de tamanho reduzido a entrar em acção quando começa a moca e a consciência a falar sobre o saudosismo dos tempos de faculdade. No mesmo prédio, em paralelo, exibe-se a vida de um idoso viúvo que partilha a casa com um senhor com a paranóia de ser um anjo (anda com asas o dia todo). É esse senhor que ajuda o nosso amiguinho, ao ser desafiado a voar pelo velho com quem partilha a casa- fá-lo e evita o suicídio da personagem principal, ajudando-o a encontrar o sentido da vida ao pai... e talvez, a ele.
Algo muito simples, e que tem outras mini-histórias como a falta de auto-estima de uma supermodelo careca (que tem nos seus sofás a sua consciência) e o sonho de um miúdo (que é aluno da mulher do nosso amiguinho) em se tornar futebolista. Um filme com alguma moral, e com alguma falta de orçamento, dado que só é assim explicável a aposta em "bonecos de plasticina" animados... ou isso, ou o menor impacto que o filme teria tido com presença de carne humana - não sei. Pareceu-me que a mensagem que passou era que os bonecos eram, no fundo, actores da própria espécie humana, e isso trouxe algum brilhantismo ao filme.

Avaliação: 6.1/10.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"De nada"


Não há estática no tempo nas pessoas que me rodeiam, só evolução. Só eu não o fiz, porque não fui o expectável. Desapareci, e agora não sou quem quero ser mas uma tentativa falhada daquilo que gostava que os outros vissem em mim.

Desamparado no meu canto, decidi sair, e começar a fugir até que vi que o que me perseguia era algo inofensivo era tão ou mais indefeso quanto eu. Podia querer magoá-lo só pelo incómodo, mas era algo inocente e que não tinha culpa do medo, esse sim, que me perseguia. Não lhe dei dois tiros, não fugi mais, tornou-se indispensável e adequado na gaveta mais apropriada. Não era mais que um relógio entre meias.

Pus a mão naquilo que achava ser fogo e não me queimei. Arrisquei, apenas por necessidade, assumir a normalidade. E gostei. Consegui. Olhando para a altura, não parece difícil, mas se voltar, será sempre o meu Cabo das Tormentas. Ultrapassável, mas com o esforço que requer.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Divisão"



"Jorge Jesus comentou esta quinta-feira os recentes elogios de Pinto da Costa, onde o presidente do FC Porto disse que o Benfica tinha “um grande treinador”. Para o técnico encarnado tudo não passa de uma “intenção de dividir a família benfiquista”.

“Penso que todos os adeptos benfiquistas percebem o sentido dos seus elogios, que têm a intenção de dividir a família benfiquista. Vou permanecer muitos mais anos no Benfica. Vou continuar a ganhar e a dar muitas alegrias aos benfiquistas”, referiu Jesus, durante uma iniciativa de solidariedade da “Acreditar”.

Sobre o campeonato o timoneiro das águias continua a reiterar que ainda nada está decidido: “Quem está em primeiro é sempre melhor, mesmo que tenha dependido de terceiros. Mas devo recordar que ainda estamos na primeira volta do campeonato”.

“A corrida ao título é a três. Penso que o Sporting ainda tem uma palavra a dizer”, finalizou o técnico campeão nacional."

- www.record.pt

Foste sincero, ou é para nos distrair?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"Se não marcou, não é"



Sinceramente, eu não percebo muito bem de que se trata a história (a desincronização do vídeo também não ajuda), mas é notória a maneira apaixonada de explicar as coisas que Pôncio Monteiro usa para recordar uma história repleta de vivências. De uma maneira pessoal, mas que me entreteve ao longo de todos os "Prolongamento"s e alguns "Jogo Falado"s (muito escondidos na memória). Era o seu jogo (o falado, de maneira malandra, da maneira mais parcial [compreensível] de puxar a brasa a sua sardinha) que nos entertia, e é agora, no prolongamento da vida que irá entreter com vídeos como os que vos apresento.

Clubismos à parte,
Obrigado pelos momentos de verdadeiro entretenimento que me proporcionou, Dr. Pôncio Monteiro. Que descanse em paz.

domingo, 5 de dezembro de 2010

"Circolo Vizioso"


Sempre me foi posto à mesa o tema da corrupção dentro de instituições tão nobres como empresas (desde os seguros às associações desportivas) ou Estados. Sempre me foi impingido pela família desde que aprendi a andar sobre a argumentação. Mas a minha mente, formada ou deformada pelo que me tinha entrado antes nos olhos, impediam-me de me manter em pé e acabar com a boca calada, fechado no orgulho de quem não quer ceder. Ingénuo, admito. Isto durou algum tempo, e os benefícios da dúvida dados aos escândalos sociais eram uma constante devido àquele que considero ser agora o 1º poder- a imprensa.

Vendo agora as coisas, estava a ser tudo menos estúpido (ou burro). Porque, precocemente, tinha noção do tráfico de influências por trás de cada palavra que o pivô de um jornal proferia.
Num estado reflectivo cuidadosamente bem afastado da esquizofrenia ou do sensacionalismo que se quer impingir por cá, conseguia dar aos inimigos da imprensa a minha tolerância. E continuo. Por cá.

Mas quando olho lá para fora, e quando verifico que o que me chega não chega ao sítio em questão... aí torço o nariz.
Num país, onde não há conspirações por parte da imprensa sobre o governo... é caso para desconfiar. A somar o facto de o seu homem-maior (o quanto me custa dizer isto deste homem) ser, na prática, o dono da imprensa local - "apenas" uns quantos canais privados com grande peso na audiência, alguns jornais e rádios... e claro, os canais públicos do país-... a tolerância passa a ser menor.
A imprensa rival tem medo do homem que no país manda, e quando as eleições batem à porta, não é de estranhar que ele renove o seu "vínculo" com o país (tamanha a mensagem subliminar e campanha publicitária) por escolha de quem o... vê.

Assim, este senhor de que vos falo, pode continuar a contratar prostitutas para o seu palácio, intimidar os rivais do 1º poder (do qual, repito, ele também é rei), e viver bem com isso... sem que ninguém de dentro saiba.
E assim se sustenta o vício da corrupção, com as massas lavadas cerebralmente pelo 1º poder, assim se dá a continuidade ao circolo vizioso que tanto satisfaz quem de abundância vive.

Ainda bem que há quem conteste (vejam a obra da cineasta Sabina Guzzanti).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Vergonha"

(Não, este homem russo não está numa banheira, nem está a beber água)


Todo o português, e não só, tem em si um homem carrancudo e desconfiado de um reverso do destino que teria sido causado por factores externos e injustos, enxotando ao máximo a culpa própria. Confesso que me revejo nesta descrição, como português que sou, mas nunca gostei muito de criar polémica, de levantar poeira ou de a atirar aos olhos de alguém...

Mas hoje...! Hoje foi demais. No dia de ontem, e nos seus anteriores era dado como muito provável a vitória à candidatura ibérica relativamente ao Mundial de Futebol de 2018. E não era de estranhar: dois países latinos, de sangue quente e paixão pelo futebol que já vem desde os primórdios do desporto, tendo grandes relações comerciais, uma capacidade hoteleira invejável, bem como (falo pelo nosso país) pela capacidade gigantesca de organização de grandes eventos... e com grandes facilidades a nível de transporte (ou assim se prevê) entre si que tornam a Península Ibérica num só espaço comum... contra três candidaturas inferiores pelas razões que apresentei e por mais umas: mais de metade dos estádios estariam já preparados a receber os jogos do Mundial; enorme retorno financeiro por este mesmo motivo (investimento menos avultado que outras candidaturas, "desactualizadas") e para quem mais precisa... enfim, podia enumerar mais.

O espaço "Rússia" é maior que a Península Iberica, e isso fará com que não haja tanta flexibilidade de transporte, apesar da grande capacidade hoteleira (semelhante, provavelmente, à Ibérica). Isto, e outras razões que referi fazem da Rússia um péssimo anfitrião do Mundial em termos comparativos.

Há quem se cale, e coma, mas eu não. Não tenho problemas nenhuns em dizer publicamente que a máfia russa está envolvida nesta escolha. Por alguma razão, os enviados russos já cantavam vitória antes da decisão, e Vladimir Putin já tinha enviado a importante notícia à empresa de que tinha o avião pronto para o levar directamente para Zurique em caso de vitória da candidatura russa.
Este homem, este processo de escolha, merece todo o tipo de insultos, mas não querendo ser mal educado, creio que posso falar em canalhice, falta de dignidade, egoísmo... um homem que merece não ter abrigo e passar fome como muito se vê por aqui. Não lhe desejo isso. Seria pouco.

Duvido muito que isto seja lido por alguém chegado de perto a alguém com bom cargo na FIFA ou sequer parecido a estas pessoas, mas se chegar a elas, fica a questão:
Não se está a destruir o futebol, com o seu sub-mundo? Porque não se combate a compra de votos e a entrada de poder monetário ilícito? (esqueçam esta última... eu esqueci-me que também vos convém, esse).