Mudar de opinião é bom (como referia Leonor Pinhão há umas semanas atrás, na habitual crónica de quinta-feira no jornal A Bola). Eu acrescento: mudar de opinião não só é bom, a ponto de mostrar carácter e forte personalidade por parte de quem admite mudá-la, como é saudável admitir que se muda, deixando-se de parte qualquer orgulho ferido restando nas veias ou perda de identidade aos olhos dos outros. Mudar de opinião é uma coisa que custa a muita gente fazer.
Eu orgulho-me de o fazer neste momento. Nunca fui "à bola" com um colunista do Record. Um tal de Daniel Oliveira (escreve todas as sextas-feiras, na última página do jornal). A primeira impressão foi logo a de se tratar de um ser pouco parcial, e ferido com a própria vida, vendo no seu computador (ou seja lá onde fôr que escreve) o saco de boxe, o local onde podia deixar "esmurradas" as suas frustrações. Nunca me pareceu muito objectivo, também.
Mas a minha opinião sobre Daniel Oliveira mudou, e bastou a crónica da passada sexta-feira para isso acontecer.
É certo que ele "desancou" em alguém, mas essas pessoas mereciam ser alvo da ira de quem quer que fosse. Trata-se dos comentadores da TVI. Esses mesmos que, na passada quarta-feira, no alto do seu pedestal, proferiram expressões como "esta gente" para descrever o comportamento dos cidadãos bósnios.
Tudo bem que é reprovável a vontade de censura de um hino nacional, ou o acto de se atirarem objectos para o relvado. Mas há 3 anos também se ouviram assobios ao hino da selecção belga, e lembro-me de ver um assistente de Paulo Paraty ser atingido por uma moeda de 50 cêntimos num jogo em pleno solo nacional. E nós não tínhamos saído de situações de guerra, nem em nenhum desses jogos se justificava a agressividade própria dos momentos mais importantes de uma nação (coisa que para os bósnios acontecia)
No mínimo, Valdemar Duarte em particular, foi prepotente. E o desprezo que deu às gentes de leste, é o desprezo com que se deveria ouvir as palavras por ele proferidas (têm sorte de haver espectáculo para além deles). Custa a admitir que se trata do típico português.
E não, não consigo mudar de opinião como aconteceu com Daniel Oliveira, porque hoje V. Duarte voltou a ser o típico português quezilento e sequioso de polémica: o Benfica não fez uma exibição agradável, mas a vitória era merecida, e não, não se tratou da pior exibição da história como tão insistentemente quiseram pintar.
Ao senhor Valdemar Duarte, com todo o respeito: guarde o cenário no sítio onde lhe fôr mais conveniente, e pense um bocado antes de falar. Estou certo de que já terá idade e experiência para isso. (só um rapaz de 18 anos)

2 comentários:
Sou de outro clube, mas não posso concordar mais com a tua crítica ao Valdemar. Esse gajo não merece estar onde está com tanta arrogância!
Esse Valdemar Brito quer assumir o protagonismo dos jogos de futebol tele-transmitidos. Essa é uma característica que os comentadores não podem ter. Logo, trata-se de um mau profissional!
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